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Jazz at Lincoln Center Orchestra Septet with Wynton Marsalis
The Democracy! Suite
CD
Blue Engine Records 2021

 

Wynton Marsalis é o director artístico da Jazz at Lincoln Center Jazz Orchestra (LCJO) desde 1991, tendo feito dela o seu mais importante instrumento para estabelecer o Jazz como a «música clássica da América».

Este desígnio que se autoestabeleceu tem sido motivo de vitupérios infindáveis por parte dos que consideram o jazz uma música em transforação permanente ou dos que lhe alargam as fronteiras ou lhe introduzem elementos estranhos; enriquecedores para uns, espúrios para outros.

Razão terão ambos mas, polémicas à parte, a LCJO tornou-se o polo de referência do Jazz clássico. A fórmula encontrou-a na singular recuperação da alegria e energia do jazz primevo de New Orleans, fundido na erudição orquestral de Duke Ellington. E a força do Jazz de Wynton Marsalis é bastante a responsável pela popularidade do Jazz, expresso na multiplicação de escolas e bandas e festivais e concursos por todo o Estados Unidos.

Com o tempo, a LCJO alargou o repertório, mesmo para além do Jazz, interpretando e recriando peças ou temas que lhe suporíamos alheios, sem nunca deixar as suas referências da música popular negra, seja ela o blues, os espirituais e esse Jazz híbrido de onde nasceu, mas oferecendo-lhe muito de espectáculo e de entretenimento de Broadway (mesmo se nessa fórmula ele encontrou afinal a respeitabilidade que almejava).

Impedida de tocar devido à pandemia, a LJCO recuperou uma série de concertos que disponibilizou ao público em 2020. Seis álbuns, seis!, entre gravações de estúdio e concertos, e apenas alguns espectáculos mais privados.

De entre eles, foi agora editado um concerto gravado e filmado em Setembro passado pelo núcleo principal da orquestra, «O Septeto»: «The Democracy! Suite»; em plena campanha eleitoral que culminaria na vitória da democracia nos Estados Unidos.

«O Jazz é a perfeita metáfora para democracia», diz Marsalis. Música onde todos contam, onde todos contribuem não importa a cor da pele, e onde as diferenças acrescentam e alimentam; por um objectivo comum. E dessa democracia resulta uma alegria e comunicabilidade (e saber) que são também a razão e a força dessa música, e de que este disco é paradigmático.

 

Wynton Marsalis (t, dir)
Ted Nash (sa, ss, f)
Walter Blanding (st, ss, cl)
Elliot Mason (trb)
Dan Nimmer (p)
Carlos Henriquez (ctb)
Obed Calvaire (bat, per)

(Este texto foi publicado no Jornal de Letras)